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Mensagens de Amor

Como agir no primeiro encontro

Como agir no primeiro encontro
Diariamente recebo mensagens de pessoas que perguntam como devem se comportar no início dos relacionamentos. Geralmente a dúvida se refere a como agir ainda nas conversas online e ao que fazer no primeiro encontro. Essas mensagens são enviadas tanto por homens como por mulheres. As questões masculinas costumam estar ligadas ao que dizer às mulheres online e pessoalmente. Muitos querem saber sobre o que devem conversar, como mostrar o interesse, como convidá-las para um encontro, onde esse encontro deve acontecer, que assuntos devem ser conversados nele, entre diversas outras questões. As mulheres geralmente se preocupam com a imagem que o outro terá dela: perguntam sobre o estilo de roupa que devem usar (mais recatada ou mais sensual), sobre fazer ou não sexo no primeiro encontro, como demonstrar o interesse sem parecer vulgar, além de como identificar se o outro está interessado.

Todas essas questões masculinas e femininas parecem apontar para o tamanho da insegurança que permeia o início de um relacionamento. Esses homens e mulheres que nos escrevem aparentemente desconfiam de sua intuição e buscam saber qual a maneira “certa” de agir. Acontece, no entanto, que não há uma maneira “certa” e outra “errada”. Isso porque comportamentos não são “corretos” ou “incorretos” por si só, mas dependem do contexto, das pessoas, das relações. Há, por exemplo, pessoas que consideram natural fazer sexo no primeiro encontro, enquanto outras consideram que é preciso mais tempo para que isso aconteça. Sendo assim, qual seria a atitude “certa”? Pensando um pouco, percebemos que não é possível classificar essa e outras atitudes dessa maneira.

Outro bom exemplo diz respeito ao que dizer e sobre o que conversar, presente em muitas das questões masculinas. Assim como acontece com as atitudes, não há assuntos que podemos considerar como “certos” ou “errados”. Não há assuntos que agradem a todos, assim como não há assuntos que desagradem a todos. Posso falar com alguém sobre televisão, por exemplo, e a conversa ser bastante interessante. Posso, por outro lado, levantar o assunto com outra pessoa e ela considerá-lo completamente banal e sem graça.

Que roupa usar é outra questão que não tem uma única resposta. O que deve-se considerar são o quanto uma roupa é confortável e se é adequada ao local onde o encontro foi marcado. Tirando esses dois aspectos, não há, novamente, uma maneira certa de se vestir. Não há nenhum modo de garantir que o outro gostará das suas roupas, já que o estilo dele pode ou não combinar com o seu. O mais importante, nesse caso, é sentir-se bem. De nada adianta o outro admirá-la, se você não estiver se sentindo bonita.

Quando recebo perguntas sobre “certos” e “errados”, costumo dar uma sugestão bastante simples: seja espontâneo. Essa dica, embora pareça “boba” ou elementar demais, é bastante valiosa e pode gerar resultados surpreendentes. Explico por que ser espontâneo pode ser tão importante. Vimos, por alguns exemplos, que não há “certos” ou “errados” nas maneiras de agir em um relacionamento. Por essa razão, de nada adianta tentar se comportar de uma maneira que julgamos que o outro vá gostar. Se mal conhecemos a outra pessoa, é muito difícil deduzir seus gostos. Posso, por exemplo, pensar que um homem vai me adorar se eu for engraçada. Mas, se eu não o conheço, como posso saber se isso é verdade? Assim, no nosso primeiro encontro ele pode tanto adorar meu jeito como pode não combinar em nada com o dele. Por isso, é melhor não deduzir nada e agir com naturalidade. Se eu tenho um estilo bem-humorado, devo mantê-lo independentemente de quem está em minha frente. Se sou mais séria, me apresentarei dessa maneira a qualquer pessoa.

Mas como fazer para agir espontaneamente? O que parece tão simples pode se revelar algo complicado para algumas pessoas. Em primeiro lugar, é preciso ter um mínimo de confiança em si mesmo. E como fazer isso? Lembre-se de que, em sua vida cotidiana, você convive com seus amigos, familiares, pessoas do trabalho, do local onde você estuda... Com essas pessoas, você geralmente tem assunto, sabe como se comportar, o que dizer etc. Por que, então, quando se trata de relacionamentos amorosos, há tanta insegurança? Tente ser o mesmo que você é com as pessoas em geral. Se essas pessoas te consideram interessante, por que seria diferente em um encontro amoroso? Por isso, procure se vestir, se comportar e se comunicar da maneira como você faz normalmente. Diga o que tiver vontade, puxe o assunto que vier à cabeça, vista-se como se sentir mais confortável. Fazer tudo isso garante o sucesso? Se eu dissesse que sim, estaria contrariando tudo o que disse antes sobre “certos” e “errados”. Há inúmeros tipos de pessoas, com incontáveis estilos, personalidades e gostos. Assim, podemos combinar com uma e não combinar com outra. É fundamental ter uma ideia em mente: não combinar não significa estar “errado”. Digo isso pois muitas pessoas perguntam onde estão errando e exemplificam citando relações que tiveram e que não foram adiante. O casal pode simplesmente não combinar, o que não significa que uma das pessoas precise mudar seu jeito ou se adequar ao do outro.

Sugiro às pessoas mais preocupadas com a maneira de agir um exercício: tentem, no próximo encontro, não planejar muito. Pensem o mínimo que puderem no que vão dizer, em como vão se comportar, em como responderão às propostas que o outro possa fazer. Tentem não ficar imaginando o que o outro vai pensar de você. Mulheres, tentem não pensar com antecedência na roupa que vão usar: peguem na hora uma que acham bonita e confortável. Enfatizo que “tentem” porque evidentemente considero impossível não planejar absolutamente nada. O importante, no entanto, é planejar o mínimo necessário e deixar que a espontaneidade surja naturalmente. Ser espontâneo pode não ser garantia de sucesso, mas, além de aumentar as chances, torna a vida mais simples e leve. Boa sorte!

escrito por

Dra. Mariana Santiago de Matos Psicóloga

Psicóloga e psicoterapeuta. Doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-Rio. Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio (2004) com dissertação sobre relacionamentos amorosos na adolescência